Radiografia da seca no Nordeste brasileiro, em abril de 2020



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Na atual crise, provocada pelo novo coronavírus, a agricultura é uma das profissões essenciais para enfrentar a pandemia. Produtores rurais de todo o Brasil continuam trabalhando para garantir alimentos na mesa da população.

Para fornecer informações qualificadas, em benefício desse segmento econômico, apresentamos, a seguir, uma radiografia atualizada da situação da seca no Semiárido brasileiro. São analisadas a condição da vegetação e da umidade do solo, principais indicadores de seca, para cada estado da região.

A radiografia da seca é feita a partir de imagens de satélites, processadas pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), com referência à primeira semana de abril de 2020.

O mapa abaixo fornece uma visão geral da situação da cobertura vegetal no Semiárido brasileiro. A recuperação da vegetação ocorre, cerca de 10 dias depois, da ocorrência de chuvas em determinadas áreas. De acordo com o mapa, a vegetação está verde na maior parte dos municípios do Semiárido brasileiro.

Radiografia da seca no Semiárido brasileiro

As áreas em vermelho, na imagem de satélite, indicam que a seca predomina apenas em alguns pontos da região. Ressalta-se que os tons em vermelho mais intenso, em alguns estados, são indicadores de áreas degradadas.

Confira, a seguir, a análise da atual cobertura vegetal, em cada estado do Nordeste brasileiro.

Em Alagoas, há predomínio de vegetação verde em todo o Leste Alagoano, em parte do Agreste e no extremo Sertão. Pelas áreas em vermelho do mapa, a seca continua intensa em grande parte do Sertão do estado e é mais moderada em áreas do Agreste alagoano.

Na Bahia, há um bom tempo, predomina vegetação seca no nordeste do estado, em parte do Vale do São Francisco e no Centro-Norte Baiano. No Extremo Oeste, área inserida na região de Matopiba, há registro de seca moderada afetando a vegetação.

O Ceará é o estado que ficou mais verde no Semiárido brasileiro. Pela imagem de satélite, é possível identificar registro de seca leve somente em alguns municípios do Jaguaribe e do sul cearense.

De acordo com a imagem de satélite da cobertura vegetal, o Sertão é a área mais verde da Paraíba. Na Mata e no Agreste do estado, a vegetação também está verde, havendo apenas áreas pontuais com registro de seca leve. Nos Cariris paraibanos e no Seridó, o vermelho intenso no mapa indica áreas degradadas.

Praticamente todo o estado de Pernambuco está verde. Apenas em algumas áreas pontuais de municípios do Agreste e da Mata pernambucana, além do Vale do São Francisco, há registro de seca, de leve a moderada. As áreas com vermelho intenso também indicam solos expostos ou degradados.

No sudoeste do Piauí e no sul do Maranhão, também há registro de vegetação seca em alguns municípios, abrangendo também parte de Matopiba, nova fronteira agrícola do Brasil.

No estado de Sergipe, a vegetação está seca na maioria dos municípios da área semiárida. A intensidade da seca nesses municípios varia de leve a intensa.

No Rio Grande do Norte, o destaque em vermelho intenso, em municípios da Central Potiguar e do Leste Potiguar, pode estar associado a áreas degradadas. Em municípios pontuais do Leste Potiguar, a vegetação apresenta sinais de seca moderada.

Umidade do solo, a partir de satélites, nos estados do Nordeste

Situação da seca no Semiárido e no Nordeste brasileiro

A estimativa da umidade do solo, feita a partir de satélites, permite mensurar o percentual de água na superfície do solo, em diferentes regiões. A ferramenta fornece um dos indicadores mais rápidos para o planejamento da produção agrícola, por permitir observar a variação da umidade do solo, no tempo e no espaço.

De acordo com a imagem de satélite do Lapis, nos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Ceará, a umidade do solo está em torno de 20 a 25%, considerado favorável à produção agrícola. A mesma situação se observa no norte do Maranhão e do Piauí.

Nas demais áreas, que abrange o estado da Bahia, norte de Minas Gerais, centro-sul do Piauí e sul do Maranhão, a umidade do solo está abaixo de 15%, percentual considerado baixo.

Mais informações

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Para aprofundar o conteúdo sobre seca no Semiárido brasileiro, monitoramento da seca por satélites e uma análise completa da história das políticas hídricas para a região, durante o período de mais de um século, conheça o Livro “Um século de secas”.

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