Veja estados do Nordeste que registraram mais chuvas nos últimos dias



Ouça este conteúdo
Parar este conteúdo

O Semiárido brasileiro tem recebido volumes significativos de chuvas, nas últimas semanas. No último post, divulgamos a previsão climática para o próximo trimestre. Neste início de maio, as chuvas estão na média ou um pouco acima do normal, no setor norte do Nordeste. Já em outras áreas da região, está abaixo da média.

De acordo com o meteorologista Humberto Barbosa, fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), as chuvas que ocorreram no Nordeste, na última semana, se devem à atuação de fenômenos como a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), associada a um dipolo do Atlântico, favorável às precipitações na região.

Como explicamos neste post anterior, como o El Niño Oscilação Sul está neutro, o clima no Nordeste depende da temperatura da superfície do Atlântico Sul, que está mais aquecida. Com isso, nas últimas semanas, formou-se um dipolo que beneficiou a quadra chuvosa na região.

Essa situação climática, associada à ausência de El Niño, permite que a ZCIT se posicione mais próxima à costa norte do Nordeste do Brasil, provocando áreas de instabilidade e trazendo mais umidade à região.

A seguir, iremos analisar imagens de satélites da umidade do solo e da precipitação, obtida junto ao Lapis. O Laboratório realiza, semanalmente, o monitoramento das condições climáticas do Nordeste e de todo o Semiárido brasileiro.

Antes de analisarmos as imagens de satélites, para cada estado do Nordeste, temos um recado importante para você. Se você quer aprender, com o Lapis, o passo a passo para elaborar imagens de satélites, como as utilizadas neste post, participe da nova turma do Treinamento Online “Produtos e serviços de satélites, com prática no QGIS”. Para se inscrever, clique aqui.

Atualizamos, com frequência, nesta página, o monitoramento climático e ambiental da região, visando oferecer informações qualificadas aos agricultores familiares, que não puderam parar, na atual situação de pandemia. A atividade produtiva é considerada essencial, e responde por 70% dos alimentos que chegam à nossa mesa, todos os dias, enquanto permanecemos em isolamento.

>> Leia também: Atualização das condições de El Niño, a partir de maio de 2020

Os mapas analisados abaixo são referentes ao período de 27 de abril a 03 de maio de 2020. Para cada estado, será comparada a imagem de satélite das chuvas, à esquerda, e sua influência sobre o percentual de umidade do solo, à direita.

a) Alagoas

No Leste alagoano, houve registro de chuvas significativas, na última semana. Já no Agreste e Sertão, as precipitações foram fracas e ficaram abaixo de 15 milímetros. Este volume de chuvas está relacionado ao percentual de umidade do solo, observado na imagem de satélite acima.

Na maioria dos municípios alagoanos, a umidade do solo está em torno de 30 a 35%, considerada favorável à produção agrícola.

b) Bahia

Atualmente, a Bahia é um dos estados mais secos do Nordeste. Na última semana, as chuvas registradas concentraram-se em áreas pontuais, como o Extremo oeste, região metropolitana de Salvador e Nordeste baiano. Nas demais áreas, as chuvas ficaram abaixo de 10 milímetros.

O percentual de umidade do solo está baixo, na maior parte dos municípios baianos. Apenas no leste do estado, a umidade ficou em torno de 20%. Na área metropolitana de Salvador, o percentual foi superior a 40%.

c) Ceará

Todos os municípios do Ceará receberam chuvas significativas, que variaram de 30 a 60 milímetros, na última semana.

Os impactos positivos foram observados no aumento da umidade do solo, que está acima de 25%, em todo o Ceará. Também influenciaram na situação da cobertura vegetal, que ficou verde em praticamente todo o estado.

d) Maranhão

O Maranhão também é um dos estados, da porção norte do Nordeste, onde foi registrado um significativo volume de chuvas, na última semana. Em quase todo o estado, o volume de precipitações foi em torno de 30 a 60 milímetros. Uma exceção apenas em alguns municípios do extremo sul do estado, onde foram registradas chuvas, em torno de 20 a 25 milímetros.

A umidade do solo está favorável à produção agrícola, em quase todo o estado, com percentual superior a 25%. Somente no Sul maranhense, a umidade está abaixo de 15%, considerada baixa.

e) Paraíba

As chuvas na porção norte do Nordeste também favoreceram boa parte da Paraíba, inclusive municípios situados nas áreas mais secas, como nas microrregiões do Seridó e em parte dos Cariris. Nestes locais, foram registrados volumes significativos de chuvas, em torno de 30 a 60 milímetros. Nas demais áreas da Borborema, Agreste e Mata paraibana, ocorreram apenas chuvas fracas.

>> Leia também: Mudanças climáticas podem trazer de volta megassecas históricas

A umidade do solo está favorável à produção agrícola, em praticamente todo o estado, com exceção do Agreste e de poucos municípios do Seridó, onde o percentual está abaixo de 15%.

f) Pernambuco

Em Pernambuco, ocorreram volumes significativos de chuvas, na última semana, na maioria dos municípios do Sertão e do Agreste. Nas demais áreas, apenas chuvas fracas.

A umidade do solo está favorável à produção agrícola, com percentual superior a 20%, na maioria dos municípios pernambucanos. Somente no extremo oeste do São Francisco, a umidade do solo está baixa.

g) Piauí

Na última semana, os maiores volumes de chuvas concentraram-se nas áreas central e norte do Piauí, alcançando ainda municípios do extremo sudoeste do estado. No sudeste piauiense, foram registradas apenas chuvas fracas.

A umidade do solo está favorável à produção agrícola, na área central e norte do Piauí. No sul do estado, o percentual é inferior a 10%, considerado baixo.

h) Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte é mais um dos estados, da porção norte do Nordeste, beneficiado com chuvas, na última semana. Assim como ocorreu no Maranhão e Ceará, chama atenção que todo o estado potiguar recebeu significativos volumes de chuvas, em torno de 30 a 60 milímetros.

A imagem de satélite da umidade do solo mostra os impactos positivos das chuvas para a produção agrícola. Praticamente todo o estado acumulou percentual de água, na superfície do solo, acima de 25%. Somente em alguns municípios do Agreste potiguar, o percentual está abaixo de 15%.

i) Sergipe

Em Sergipe, ocorreram chuvas em quase todo o estado, com registro de volumes significativos no Leste, Agreste e em alguns municípios do Sertão. Nas demais áreas, apenas chuvas fracas.

A umidade do solo está favorável à produção agrícola, em todo o estado de Sergipe. No Leste, o percentual é superior a 35%. Nas demais áreas, está em torno de 25%.

Semiárido brasileiro

O período mais chuvoso do Semiárido brasileiro encerra-se agora em maio. Como vimos acima, a região começou o mês de maio com a atuação da ZCIT, favorecendo a ocorrência de significativos volumes de chuvas, em sua porção norte.

Mas de acordo com o meteorologista Humberto Barbosa, há uma tendência de redução das chuvas, nas próximas semanas, em relação à média histórica. Vai chover na porção norte do Nordeste, mas o volume será abaixo do esperado para o mês de maio. Em junho e em julho, as chuvas voltam à faixa de normalidade, ou até mesmo poderão ficar acima da média, em algumas áreas do Litoral.

>> Leia também: Radiografia da seca no Nordeste brasileiro, em abril de 2020

Já no Semiárido brasileiro, os volumes de chuvas serão baixos, a partir de junho, em função do fim da quadra chuvosa na região.  

Se você quer saber como ficará o clima na região, no período de maio a julho, acesse aqui a previsão climática completa.

Mais informações

Para mais informações sobre o assunto deste post, indicamos a leitura do Livro “Um século de secas: por que as políticas hídricas não transformaram o Semiárido brasileiro?”. Para conhecer o Livro, clique aqui

Gostou do texto? Compartilhe com seus amigos:



Artigos Relacionados

Agricultura

Matopiba: o império do agronegócio nos limites do Cerrado brasileiro

Agricultura

Radiografia da seca no Nordeste brasileiro, em abril de 2020

Agricultura

Radiografia da seca nos estados do Nordeste, em janeiro de 2020

Inscreva-se

Deixe aqui seu e-mail e receba nossas atualizações.


×

Se você gosta do nosso trabalho, colabore com a proteção ambiental do Brasil