Como o La Niña afetará o clima em outubro de 2020?



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No mês passado, publicamos este post sobre a chegada do La Niña e a previsão climática para as regiões brasileiras, durante a atual primavera e o próximo verão.

Na ocasião, também explicamos como a influência da Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), atualmente em sua fase fria, torna o atual La Niña com características especiais. Isto significa que embora estejamos sob um La Niña de intensidade mais fraca, seus impactos podem ser mais fortes do que o esperado.

Neste post, iremos atualizar a previsão climática para o mês de outubro de 2020, incluindo informações sobre clima e temperatura, em todas as regiões do País. As informações foram obtidas junto ao Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis).

O La Niña perturba o clima em todo o Planeta e, por óbvio, não é diferente no Brasil. A situação para outubro é especialmente preocupante para o Centro-Sul. De uma maneira geral, haverá predomínio de seca e altas temperaturas, na maior parte do Brasil, durante todo o mês.

Segundo o meteorologista Humberto Barbosa, do Lapis, “o acumulado de chuva será abaixo da média climatológica, com grande irregularidade na distribuição espacial e temporal, havendo períodos mais secos, alternados por extremos climáticos, como excesso de chuva”.

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A previsão climática indica um outubro mais quente, com predomínio de períodos com forte calor. No Centro-Sul, temperaturas máximas, em torno de 30 ⁰C, tendem a aumentar este mês, favorecendo tardes mais abafadas e dias com maior amplitude térmica (diferença entre as temperaturas máximas e mínimas diárias).

Confira, a seguir, a previsão climática detalhada, para cada região brasileira, a partir da análise dos mapas.

Previsão climática para outubro

Previsão climática sob La Niña, em outubro de 2020.

Previsão para temperaturas e chuva, em outubro de 2020.

Previsão para temperaturas e chuva, em novembro de 2020.

Previsão para temperaturas e chuva, em novembro de 2020.

Centro-Sul: outubro será de forte estiagem, em quase toda a região, que inclui o Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. O calor no Centro-Oeste pode continuar agravando a situação dos incêndios florestais. Somente em grande parte do Rio Grande do Sul, a chuva ainda será frequente, reduzindo os impactos do La Niña na produção agrícola. Naquele estado, as temperaturas estarão em torno da média.

Todavia, em novembro e dezembro, a estiagem afetará toda a região Sul, com impactos diretos na produção agrícola. Nesse período, a chuva será mais favorável no Sudeste e Centro-Oeste, com temperaturas em torno da média.

Nordeste: outubro será com chuva levemente abaixo da média, no Matopiba. Na porção norte da região, chuvas normais, que costumam ser de baixos volumes, nesta época do ano. Na Bahia, Alagoas e Sergipe, a chuva também será ligeiramente abaixo da média.

A partir de novembro, haverá maior regularidade na frequência da chuva, em Matopiba. São esperados volumes acima da média, principalmente em Tocantins e na Bahia. Nas demais áreas da região, novembro também será com chuva, levemente acima da média.

Amazônia: em outubro, chama atenção o contraste de chuva, no norte da Amazônia, enquanto há forte estiagem, na porção sul daquela região. A estiagem, no sul da Amazônia, onde os incêndios florestais são mais graves, se deve principalmente ao La Niña. O fenômeno corresponde ao resfriamento do Pacífico, em suas regiões central e leste, afetando, entre outros aspectos, na distribuição das chuvas na Amazônia.

Oscilações de mais longo prazo também parecem causar variações no regime de chuva naquela região. Uma delas é a fase negativa da ODP. Em sua fase mais fria, o fenômeno tem um efeito médio de resfriamento do Pacífico, que pode durar uma década ou mais.

A Oscilação Multidecadal do Atlântico Norte (AMO), nas duas últimas décadas, também contribuiu para a tendência de menos chuvas na Amazônia. Atualmente, o fenômeno está em sua fase positiva, ou seja, o Atlântico Norte está mais quente.

Em novembro, ainda são esperadas variações no regime de chuva na Amazônia, com predomínio de volumes de precipitações em torno da média ou mesmo acima do normal, a depender da região. Poucas áreas irão enfrentar estiagem. Já em dezembro, espera-se regularização da chuva em toda a região, com volumes acima da média.

>> Leia também: Estiagem se generaliza no Semiárido brasileiro, em agosto de 2020

Até quando deve durar o La Niña?


A previsão indica que o atual La Niña tende a durar de seis a oito meses, ou seja, pelo menos até março de 2021. De acordo com as condições oceânicas observadas, o La Niña deve se intensificar nos próximos meses, diminuindo sua probabilidade de permanecer ativo, a partir de março do próximo ano.

Nas últimas duas vezes que o La Niña ocorreu, houve poucas perdas nas safras, no Brasil. Foi o caso de um La Niña forte, ocorrido no período 2010-2011, e de uma versão mais fraca do fenômeno, nos anos 2017-2018.

Mas não podemos esquecer que a influência preponderante do La Niña, sobre o clima das regiões brasileiras, costuma depender das temperaturas do Atlântico Sul. Quanto mais quentes as águas superficiais dessa área oceânica, mais favoráveis à chuva.

>> Leia também: Um La Niña está formado, na primavera de 2020

De acordo com a atual observação (dia 1º de outubro), as águas do Atlântico Sul estão levemente mais frias ou abaixo da média climatológica. Apenas em áreas isoladas, no sul da América do Sul, o oceano está com superfície mais aquecida, em relação à média histórica. 

Todavia, ainda é cedo para definir a influência do Atlântico Sul, na previsão climática, das regiões brasileiras. Em meados de dezembro, teremos uma análise mais precisa para o próximo verão. Por enquanto, o La Niña segue decisivo na definição das condições climáticas.

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