O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) lançou um novo mapeamento da situação climática nas regiões brasileiras. De acordo com o mapa do Índice de Precipitação Padronizado (SPI), do período de 11 a 20 de março, houve situação de seca grave ou moderada na área central do Brasil, além do centro-sul do Nordeste e no Rio Grande do Sul.
Já na porção norte do Nordeste, o mapa mostra que houve registro de chuvas em torno ou acima da média histórica. O mapa é baseado em dados do Climate Hazards Group InfraRed Precipitation with Station data (CHIRPS).
O Laboratório também lançou um mapeamento das anomalias de temperatura máxima nas regiões brasileiras, baseado em dados de satélite, no período de 17 a 23 de março. O termo “anomalia” indica o desvio da temperatura de determinado momento, em relação à média histórica.
No mapa, você pode observar que o Semiárido brasileiro foi impactado por temperaturas de até 5 °C acima da média histórica, durante o período. Ou seja, as temperaturas estão mais altas na região do que eram no passado, com maior frequência de ondas de calor ou de dias com calor extremo.
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O monitoramento por satélite do Laboratório Lapis mostra expansão das áreas com mais de um mês sem chuva, na região Sudeste. A situação da seca também piorou em municípios da Bahia, Pernambuco e Cariris da Paraíba.
Comparado com o mesmo mapa do mês anterior, você pode observar que houve aumento no número de municípios atingidos por seca-relâmpago, em grande parte do Sudeste. É a região mais afetada pelo fenômeno hoje no Brasil.
“Seca-relâmpago" (do termo em inglês, flash-droughts) é um extremo climático de curta duração e forte intensidade, com altas temperaturas e ausência de chuva. Essa nova tipologia de seca, que se tornou comum com a mudança climática, afeta severamente vegetações, ecossistemas e prejudica as colheitas.
O mapa mensal do número de dias secos atualiza a situação da seca nas regiões brasileiras, desde 19 de fevereiro até o último dia 20 de março. Você também pode observar que quase todos os estados da região Norte do País continuam a receber chuvas regulares.
No mapa, as áreas em vermelho indicam onde não ocorreu chuva, nos últimos 30 dias. Já as áreas em verde mostram chuvas regulares ou os locais que tiveram apenas 1 a 3 dias sem chover, durante o período.
O meteorologista Humberto Barbosa, fundador do Laboratório Lapis, pesquisou sobre secas-relâmpago no Semiárido brasileiro. Foi o primeiro estudo sobre o assunto no Brasil e na América Latina. Segundo ele, a piora na situação da seca no Sudeste já é sinal amarelo para a situação do nível dos reservatórios e produção de energia elétrica.
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O monitoramento feito semanalmente pelo Laboratório Lapis, a partir de dados de satélites, mostra pouca mudança na recarga de água dos reservatórios das regiões brasileiras, comparado com meados deste mês.
As principais usinas hidrelétricas do País estão localizadas na região Sudeste e Centro-Oeste, representando cerca de 70% do volume total armazenado nos reservatórios. Nessas regiões, também houve pouca variação ao longo deste mês.
O meteorologista Humberto Barbosa, fundador do Laboratório Lapis, pesquisou os extremos hidrológicos na bacia do São Francisco, usando uma nova metodologia. Foi a primeira pesquisa sobre o impacto da seca-relâmpago no Brasil e na América Latina. Acesse o artigo completo.
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O mapa do Índice de Risco Climático (IRC) destaca o aumento da disponibilidade de calor na atmosfera, com chuvas na Amazônia. Essa condição, assim como a maior circulação de ventos na atmosfera, forma um sistema de baixa pressão sobre grande parte da região Norte.
No mapa, gerado com dados do dia 26 de março, o cinza intenso indica áreas de instabilidade atmosférica, favorecendo uma maior cobertura de nuvens e chuvas com possíveis trovoadas.
Em toda a área central do País, temperaturas estão acima do normal, incluindo áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. Desde o fim de fevereiro, uma massa de ar seco (ou bloqueio atmosférico) se instalou na costa leste do Nordeste e em áreas do Sudeste.
A escala de IRC em +5 indica que a temperatura está 5 vezes maior do que a média histórica, por influência da mudança climática. Vale lembrar que há outras influências sobre a temperatura local, requerendo estudos específicos. Já a escala de IRC negativa (cor cinza), quer dizer que não há influência direta da mudança climática na temperatura local, mas predomínio de cobertura de nuvens e áreas de instabilidade.
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LETRAS AMBIENTAIS. [Título do artigo]. ISSN 2674-760X. Acessado em: [Data do acesso]. Disponível em: [Link do artigo].
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