El Niño avança, mas atmosfera ainda responde ao La Niña



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As águas da superfície do Pacífico já estão mais quentes que o normal, mostrando sinais mais evidentes para a formação de um El Niño. Como você pode ver na imagem, essas temperaturas mais quentes já se expandem para as demais áreas do Oceano.

De acordo com o meteorologista Humberto Barbosa, fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), hoje a atmosfera ainda responde às condições de um La Niña fraco. Porém, se o aquecimento do Pacífico se sustentar por três meses consecutivos, configura-se o El Niño.

“Uma caraterística importante para se considerar nas previsões climáticas é que o Atlântico Sul está bastante aquecido, de forma mais intensa na costa das regiões Sul e Sudeste”, completa Humberto.

A combinação do El Niño com o aquecimento global, provocado pelo ser humano, tornou 2024 o ano mais quente já registrado. A grande questão agora é saber se 2025 vai quebrar esse recorde.

No Brasil, o La Niña costuma provocar estiagem no Centro-Oeste, Sudeste e, principalmente, na região Sul. Por exemplo, tomando como referência o La Niña de 2010 a 2012, foi verificada redução das chuvas no Centro-Sul. Prejudicou as safras de cana-de-açúcar e soja, o que também foi sentido no aumento dos preços do etanol.

O El Niño Oscilação Sul (ENOS) possui sua fase mais quente (El Niño) e mais fria (La Niña). São fenômenos naturais que existem há vários anos e vão continuar existindo, embora sem um período regular.

Eventos de La Niña apresentam ocorrem com menos frequência do que os de El Niño. De 1900 a 2019, foram 31 episódios de El Niño e somente 21 de La Niña, permanecendo 55% dos anos em neutralidade. Em geral, uma das fases do ENOS começa a se desenvolver em meados do ano, atinge o pico no final daquele ano, dissipando-se em meados do ano seguinte.

>> Leia também: La Niña perde força e Pacífico mais quente já sinaliza para um El Niño

Março começa com queda na precipitação nas regiões brasileiras

Mapa da precipitação_QGIS

O mapa semanal da precipitação, baseado em dados de satélite, destaca a distribuição das chuvas nas regiões brasileiras, no período de 26 de fevereiro a 02 de março. De acordo com o monitoramento do Laboratório Lapis, predominou seca ou redução na frequência das chuvas em quase todo o Brasil.

De acordo com o mapeamento, na última semana, houve uma mudança repentina na frequência da chuva em quase todo o Brasil. A situação de seca desde a Paraíba até São Paulo se deve à influência de uma massa de ar seco persistente.

O mapa da precipitação faz parte do portfólio de produtos de monitoramento por satélite, do Laboratório Lapis. Com essa ferramenta, é possível se manter atualizado sobre a distribuição das chuvas, em qualquer área do território brasileiro, com frequência mensal ou semanal.

O mapa semanal foi gerado no software livre QGIS, a partir do cálculo do Índice de Precipitação Padronizado (SPI). Esse índice de seca permite analisar a duração, frequência e gravidade das secas meteorológicas, usando dados do Climate Hazards Group InfraRed Precipitation with Station data (CHIRPS).

>> Leia também: Até que ponto as previsões climáticas correspondem à realidade?

Seca-relâmpago no Sudeste vai impactar volume dos reservatórios

Mapa da seca-relâmpago_QGIS

O monitoramento por satélite do Laboratório Lapis mostra redução do número de dias secos na porção norte do Nordeste e em áreas da Bahia. Comparado com o mapa do mês anterior (Veja imagem acima, à direita), você pode observar que houve aumento no número de dias secos em grande parte Sudeste, região mais afetada por hoje seca-relâmpago.

“Seca-relâmpago" (do termo em inglês, flash-droughts) é um extremo climático de curta duração e forte intensidade, com altas temperaturas e ausência de chuva. Essa nova tipologia de seca, que se tornou comum com a mudança climática, afeta severamente vegetações, ecossistemas e prejudica as colheitas.

O mapa mensal do número de dias secos (Veja imagem acima, à esquerda) mostra a situação da estiagem nas regiões brasileiras, desde o dia 30 de janeiro a 28 de fevereiro deste ano. Com a mudança de cenário, você pode observar que quase todos os estados da região Norte do País passaram a receber chuvas regulares, desde janeiro.

No mapa, as áreas em vermelho indicam onde não ocorreu chuva, nos últimos 30 dias. Já as áreas em verde mostram chuvas regulares ou os locais que tiveram apenas 1 a 3 dias sem chover, durante o período.

O monitoramento por satélite dos reservatórios, feito semanalmente pelo Laboratório Lapis, mostra aumento importante da recarga de água, em grande parte do Brasil. Comparado com o mapa do último mês de janeiro, houve reposição do volume dos mananciais, em várias regiões brasileiras, em razão das chuvas mais frequentes. Todavia, a seca na região Sudeste pode comprometer esse processo de recarga dos reservatórios.

Mapa de monitoramento hidrológico

O meteorologista Humberto Barbosa, fundador do Laboratório Lapis, pesquisou sobre secas-relâmpago no Semiárido brasileiro. Foi o primeiro estudo sobre o assunto no Brasil e na América Latina. Segundo ele, a piora na situação da seca no Sudeste já é sinal amarelo para a situação do nível dos reservatórios e produção de energia elétrica.

>> Leia também: La Niña chega com características incomuns. O que isso significa para o clima?

Mapeamento mostra seca intensa no Sudeste e em áreas do Semiárido

Mapa da intensidade da seca_QGIS

O Laboratório Lapis atualizou o mapa de monitoramento da intensidade da seca, nas regiões brasileiras. De acordo com o mapa, a seca severa afeta atualmente grande parte do Centro-Sul, além de áreas do Semiárido brasileiro.

No mapa, as cores em laranja e vermelho mostram como piorou o percentual de umidade do solo e dos volumes de precipitação, quando comparado com a média histórica. Do Sudeste até a Bahia, a situação está bastante crítica.

O mapa compara a atual quantidade de umidade do solo, com a média do mesmo período de 1961 a 2010. As áreas com seca prolongada (em tons de laranja e vermelho, no mapa), apresentam os seguintes impactos: 1) Déficit severo de precipitação, aumentando o risco de incêndios florestais; 2) Baixos níveis das águas impactam diretamente no transporte fluvial e terrestre, afetando a economia da região; 3) Solo seco, com déficit de umidade a longo prazo.

>> Leia também: Alto índice de calor atinge desde a região Sul até o Nordeste

Mais informações

Os mapas utilizados em nossos posts fazem parte do portfólio de produtos de monitoramento por satélite do Laboratório Lapis. Se você quer aprender a utilizar as Geotecnologias, para gerar mapas e produtos de monitoramento por satélite, você tem a oportunidade de passar 01 inteiro sendo treinado diretamente pela equipe do Laboratório Lapis. Para dominar o software livre QGIS, até o nível avançado, inscreva-se para o Curso de QGIS “Mapa da Mina” 

COMO CITAR ESTE ARTIGO:

LETRAS AMBIENTAIS. [Título do artigo]. ISSN 2674-760X. Acessado em: [Data do acesso]. Disponível em: [Link do artigo].

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